quarta-feira, 27 de julho de 2011

Vento, cavaleiro (de Alma Welt)

Vento, cavaleiro da colina,
Vem buscar-me, ó vento da manhã,
E leva-me contigo à outra sina,
Não me deixes morrer de forma vã.

Deixa-me voar, sou toda aérea
E minha pele é clara como o ar
Sou filha dos elfos, quase etérea
E não queria à terra assim baixar.

É por isso que alço os meus sonetos
E deixo o corpo por instantes
Que é a minha forma de ficar

Entre sonhos e espectros constantes
Que me instigam e lançam os motetos
Que me doam as asas pra me alçar...

(sem data)

O Território do Vento (de Alma Welt)

Os meus dias felizes que se foram,
A memória os guarda, não acabam,
O tempo os não alcança aonde moram,
Do coração e mente não se apagam.

As paredes já estalam de agonia
As pranchas rangem no silêncio
Da solidão que há muito me seguia
E se instalou no casarão imenso...

Mas o poeta não pode ser detido
Nada pode abater o incansável
Que busca o território prometido,

O plano onde os sonhos são a norma
E constroem nova vida no Inefável
Onde o verbo e o vento tomam forma...

(sem data)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Refém do Minuano (de Alma Welt)

Para acatar feliz o meu destino
Devo na vida evitar comparações.
Serei mera rabeca ou violino
Dependendo das futuras gerações.

Todavia a tentação de vaticínios
Também a mim me pega e angustia.
Escolher entre vinho e laticínios
Não foi a minha escolha da poesia.

Nasci poeta, o verso me tomou
Quando ainda nem bebia o mate
E acho que o vento me levou.

Na alma sou refém do Minuano
Que me cobra uns sonetos de resgate
Quando por mim passa a cada ano...

13/09/2001