segunda-feira, 2 de julho de 2012
A Herdeira do Minuano (de Alma Welt)
Entre os ventos que melhor conheço,
O vento Norte, o Oeste e o Minuano
Deste último o pânico padeço
Pois sei que me espreita ano a ano.
Ele virá me buscar, eu o pressinto,
Pois ouvi a sua voz dentro das noites
Que dizia: “Minha Alma, não te acoites
Se teu vinho não sou, mas absinto...”
“Levar-te-ei comigo em minha sela
Pela coxilha que conheço e que amas,
Mas pra ti não haverá nenhuma vela.”
“Varemos esta escuridão pampeira
Pelos campos e estradas, relvas, lamas,
E serás minha rainha e minha herdeira...”
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Vento, cavaleiro (de Alma Welt)
Vento, cavaleiro da colina,
Vem buscar-me, ó vento da manhã,
E leva-me contigo à outra sina,
Não me deixes morrer de forma vã.
Deixa-me voar, sou toda aérea
E minha pele é clara como o ar
Sou filha dos elfos, quase etérea
E não queria à terra assim baixar.
É por isso que alço os meus sonetos
E deixo o corpo por instantes
Que é a minha forma de ficar
Entre sonhos e espectros constantes
Que me instigam e lançam os motetos
Que me doam as asas pra me alçar...
(sem data)
Vem buscar-me, ó vento da manhã,
E leva-me contigo à outra sina,
Não me deixes morrer de forma vã.
Deixa-me voar, sou toda aérea
E minha pele é clara como o ar
Sou filha dos elfos, quase etérea
E não queria à terra assim baixar.
É por isso que alço os meus sonetos
E deixo o corpo por instantes
Que é a minha forma de ficar
Entre sonhos e espectros constantes
Que me instigam e lançam os motetos
Que me doam as asas pra me alçar...
(sem data)
O Território do Vento (de Alma Welt)
Os meus dias felizes que se foram,
A memória os guarda, não acabam,
O tempo os não alcança aonde moram,
Do coração e mente não se apagam.
As paredes já estalam de agonia
As pranchas rangem no silêncio
Da solidão que há muito me seguia
E se instalou no casarão imenso...
Mas o poeta não pode ser detido
Nada pode abater o incansável
Que busca o território prometido,
O plano onde os sonhos são a norma
E constroem nova vida no Inefável
Onde o verbo e o vento tomam forma...
(sem data)
A memória os guarda, não acabam,
O tempo os não alcança aonde moram,
Do coração e mente não se apagam.
As paredes já estalam de agonia
As pranchas rangem no silêncio
Da solidão que há muito me seguia
E se instalou no casarão imenso...
Mas o poeta não pode ser detido
Nada pode abater o incansável
Que busca o território prometido,
O plano onde os sonhos são a norma
E constroem nova vida no Inefável
Onde o verbo e o vento tomam forma...
(sem data)
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
A Refém do Minuano (de Alma Welt)
Para acatar feliz o meu destino
Devo na vida evitar comparações.
Serei mera rabeca ou violino
Dependendo das futuras gerações.
Todavia a tentação de vaticínios
Também a mim me pega e angustia.
Escolher entre vinho e laticínios
Não foi a minha escolha da poesia.
Nasci poeta, o verso me tomou
Quando ainda nem bebia o mate
E acho que o vento me levou.
Na alma sou refém do Minuano
Que me cobra uns sonetos de resgate
Quando por mim passa a cada ano...
13/09/2001
Devo na vida evitar comparações.
Serei mera rabeca ou violino
Dependendo das futuras gerações.
Todavia a tentação de vaticínios
Também a mim me pega e angustia.
Escolher entre vinho e laticínios
Não foi a minha escolha da poesia.
Nasci poeta, o verso me tomou
Quando ainda nem bebia o mate
E acho que o vento me levou.
Na alma sou refém do Minuano
Que me cobra uns sonetos de resgate
Quando por mim passa a cada ano...
13/09/2001
domingo, 16 de maio de 2010
O ninho do pássaro de fogo (de Alma Welt)
O vento acompanhou meu crescimento
Desde que aqui fui transplantada
Por sorte num perfeito e bom momento
Para neste Pampa ser moldada.
Bá! Como uma potra agradecida
A correr de imediato na coxilha,
A abrir assim os braços para a vida,
E a dar-me ao Minuano como filha.
Não posso, então, queixar-me, nunca pude,
Apesar daquele mítico percalço
A que refiro, comovida e amiúde,
Pois aqui fui arrancada como um ninho
Do pássaro de fogo que ainda alço
E que persigo como um éden de carinho...
(sem data)
Desde que aqui fui transplantada
Por sorte num perfeito e bom momento
Para neste Pampa ser moldada.
Bá! Como uma potra agradecida
A correr de imediato na coxilha,
A abrir assim os braços para a vida,
E a dar-me ao Minuano como filha.
Não posso, então, queixar-me, nunca pude,
Apesar daquele mítico percalço
A que refiro, comovida e amiúde,
Pois aqui fui arrancada como um ninho
Do pássaro de fogo que ainda alço
E que persigo como um éden de carinho...
(sem data)
segunda-feira, 20 de julho de 2009
O Último Verão (de Alma Welt)
Este é o verão da despedida,
Eu sei, e dói-me tanto, tanto!
Ao deitar ouvi o último acalanto
Da Matilde, a mim, já tão crescida,
E os sonhos que sonhei, quase pungentes
Com sinais de adeuses e viagens,
O trenzinho de fumaça e suas mensagens
De partidas e névoas iminentes...
Oh! Vento, meu comboio de estação!
Não posso o casarão abandonar,
A vinha e o vinhedo em solidão
A esperar mais uma dança do lagar
Desta Alma em branco riso temporão
Com a saia arrepanhada, a patear...
10/01/2007
Eu sei, e dói-me tanto, tanto!
Ao deitar ouvi o último acalanto
Da Matilde, a mim, já tão crescida,
E os sonhos que sonhei, quase pungentes
Com sinais de adeuses e viagens,
O trenzinho de fumaça e suas mensagens
De partidas e névoas iminentes...
Oh! Vento, meu comboio de estação!
Não posso o casarão abandonar,
A vinha e o vinhedo em solidão
A esperar mais uma dança do lagar
Desta Alma em branco riso temporão
Com a saia arrepanhada, a patear...
10/01/2007
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